A matriz de delegação de autoridade é o documento que responde a uma pergunta simples e frequentemente mal resolvida: quem pode decidir o quê, até que valor e com qual formalidade. Sua ausência produz dois sintomas opostos — conselho envolvido em decisões operacionais e gestão aprovando compromissos que deveriam subir.
Construa a matriz por natureza de ato, não apenas por valor. Investimentos, contratação de dívida, garantias, alienação de ativos, contratos de longo prazo, transações com partes relacionadas, contratações de pessoas-chave e políticas corporativas seguem lógicas distintas de risco.
Para cada ato, defina três colunas: quem propõe, quem aprova e quem é informado. Depois cruze com o estatuto e o acordo de sócios para garantir que nenhuma alçada interna contrarie o documento societário — quando há conflito, o documento societário prevalece.
Revise a matriz anualmente e sempre após eventos estruturais: captação, entrada de sócio, aquisição, mudança de porte. Uma alçada calibrada para uma empresa de R$ 50 milhões trava uma empresa de R$ 500 milhões.
Publicada e conhecida, a matriz reduz a fricção do dia a dia. Guardada em uma pasta, ela é apenas mais um documento de conformidade.


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